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Experiências brasileira e chilena em clusters e APL são destaques na América Latina e Caribe
Autora: Vanessa Brito | Data: 28/10/2009
Representante da Cepal na 4ª Conferência Nacional dos APL, realizada em Brasília, afirma que experiências de clusters, APL e aglomerações produtivas no Brasil e Chile são destaques entre países da América Latina e Caribe
A falta de continuidade nas políticas públicas apoiadoras dos clusters, Arranjos Produtivos Locais e aglomerações produtivas nos países da América Latina e Caribe é um dos motivos que impede bons resultados na região. Brasil e Chile são as exceções, pois contam com políticas consolidadas e contínuas, voltadas ao apoio e à valorização das aglomerações produtivas setoriais, implantadas geralmente em territórios com vulnerabilidade social e econômica.
Essa avaliação foi feita por Carlo Ferraro, oficial de Assuntos Econômicos da Unidade de Desenvolvimento Industrial e Tecnológico da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), nesta manhã (28), durante o primeiro painel da '4ª Conferência Nacional dos Arranjos Produtivos Locais'. O evento prossegue até a quinta-feira (29), em Brasília.
De acordo com Ferraro, as experiências brasileiras e chilenas em APL, clusters e aglomerações produtivas, são positivas e devem ser referência para os demais países da região. Não é mais necessário buscar exemplos da Itália ou Espanha. “Os números de programas destinados aos arranjos produtivos e clusters aumentam na região, mas continuam sem políticas de retaguarda, à excessão do Brasil e do Chile”, afirmou.
“A cruel realidade é que a região da América Latina e Caribe não está disposta e preparada para empreender seriamente, com continuidade e sustentabilidade, esses tipos de políticas”, disse o representante da Cepal. Além de recursos financeiros, são necessários recursos humanos, instituições sérias e compromisso interinstitucional para que clusters e aglomerações produtivas dêem certo. Outro erro é que essas políticas, muitas vezes, são decididas a partir de informações de má qualidade, acrescentou.
“Essas experiências não são prioridade na região e aparecem com maior transparência nos períodos eleitorais”, observou Ferraro. “A América Latina é ótima para desenhar projetos, é péssima para implementá-los, e pior, quando se trata de avaliar”. Os projetos e políticas públicas na região não priorizam o acompanhamento de resultados, disparou. É preciso perseverança e continuidade para ter resultados em clusters, aglomerações produtivas e APL, enfatizou.
“Avaliações não são feitas para punir ou castigar, mas para corrigir e melhorar as políticas e programas”, argumentou Ferraro. Por todos esses motivos, os resultados qualitativos são maiores do que os quantitativos nos projetos realizados na América Latina e Caribe. As ações de acesso a mercado e inovação são as mais consistentes e contam com boas publicações a respeito, destacou.
O Brasil possui uma variedade enorme de casos de sucesso em APL, que vão desde a produção de panos de prato, no município Jardim de Piranhas(RN) até Tecnologia da Informação e Comunicação, em Santa Rita do Sapucaí (MG), citou Ferraro.
“O Brasil está mais avançado, é o único com política forte e consolidada para APL. Aqui já há arranjos caminhando com as próprias pernas”, elogiou. Uma das fraquezas, no entanto, apontada por pesquisa feita pelo Sebrae sobre o tema, demonstra que há baixo percentual de empresas em redes. “Temos mais redes institucionais do que empresariais”, observou.
Cooperativas e processos associativistas não são exemplos de aglomerações produtivas, alertou Ferraro. Há precedência de infra-estrutura sobre as condições sociais e territoriais no País, segundo ele. “Infra-estrutura pode ajudar, mas não pode preceder as ações”, explicou. Os projetos de apoio para clusters e APL devem estar direcionados aos beneficiários, combinando políticas de oferta com as demandas locais.
Ferraro terminou sua palestra, deixando questões provocativas para o Brasil, carro-chefe da região, tais como: qual o papel dos APL, hoje, na Política de Desenvolvimento Produtivo do País? Depois de quatro anos, os APL estão mais fortes? Como aproximar instituições financeiras dos APL? Caixa e Banco do Brasil aumentaram recursos para os APL? Foco territorial é nova tendência ou nova moda?
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