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Estudo do BNDES vai radiografar os Arranjos Produtivos Locais brasileiros
Autora: Vanessa Brito | Data: 29/10/2009
Secretária de APL e Desenvolvimento Regional do BNDES, Helena Lastres, revela novos objetivos da instituição em relação a territórios social e economicamente vulneráveis
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está promovendo um estudo sobre os Arranjos Produtivos Locais brasileiros. O objetivo é subsidiar as ações de apoio que a instituição pretende desenvolver com esses arranjos e outras aglomerações produtivas, especialmente em territórios mais vulneráveis em termos sociais e econômicos.
A economista Helena Maria Martins Lastres, secretária de Arranjos Produtivos Locais e do Desenvolvimento Regional do BNDES, que proferiu palestra em Brasília em conferência nacional sobre arranjos produtivos, informou que um grupo de 180 pesquisadores de 23 universidades é responsável pela pesquisa. O pesquisador local é que fará a análise local, esclarece Helena. Os resultados da pesquisa deverão ser divulgados em janeiro ou fevereiro de 2010 na 5ª Conferência Nacional dos Arranjos Produtivos, quando será possível aprofundar os resultados dessa pesquisa, prevê Helena.
“Temos de ser capazes de fazer modelos de políticas que cheguem à realidade. O grande desafio é conceber modelo de política que não seja uma camisa de força”, diz Helena Lastres. É possível aprender muito com os processos vividos e com a criatividade, alerta. “O BNDES é um órgão de apoio a mega e grandes empreendimentos do País. O entorno desses empreendimentos é importante e o banco está empenhado em enraizar o desenvolvimento nessas regiões”, afirma Helena.
O trabalho de adensamento empresarial, com base nesses empreendimentos estruturantes, é um novo compromisso da instituição com o desenvolvimento local e regional do País, complementa. O objetivo maior da secretaria é apoiar atores e regiões que geralmente não entram na agenda política. “Inovação é a essência de tudo e pode agregar valores e ações para reduzir impactos sociais e regionais”, resume Helena.
Ela também defendeu a idéia de que é preciso consolidar políticas genuinamente brasileiras. “A gente copia muito o que vem de fora. Vamos tentar incrementar políticas mais com a nossa cara”. De acordo com ela, o Brasil foi muito rápido em assimilar as políticas voltadas ao desenvolvimento territorial e aglomerações produtivas. “Foram dez anos de aprendizagem, por meio de um processo coletivo significativo e importantíssimo”.
“Somos capazes de aprender. Essa interação enorme que ocorre nos APL não é comum e chama a atenção da academia e dos setores em que há pessoas pensando, implementando e tentando transformar a realidade”, ressalta a secretária do BNDES. Há muitas áreas para avançar mais no Brasil, aguçando a visão sistêmica e considerando os atores e seus respectivos territórios, acrescentou.
Organismos internacionais, como Cepal e BID, apóiam políticas tipicamente latino-americanas. Esse é mais um motivo para apostar na inovação e idéias repletas de originalidade, que podem alavancar ações e projetos surpreendentes e fadados ao sucesso tanto no Brasil como nos países vizinhos. “O BNDES não tem capilaridade, não consegue chegar à ponta. Precisamos de parcerias com ministérios e instituições”, revela. Muitos instrumentos já existentes nos APL podem ser refinados, sugere a secretária.
A Secretaria de Arranjos Produtivos Locais e do Desenvolvimento Regional do BNDES foi criada em 2007, após a posse do presidente da Instituição, Luciano Coutinho, com base na percepção da existência de um desequilíbrio histórico entre as regiões brasileiras no que diz respeito ao apoio recebido pelo BNDES. O objetivo da secretaria é redirecionar as políticas da instituição nesse âmbito.
Paralelamente à criação da nova secretaria, em 2007, o BNDES estruturou também o Departamento e Fundo da Amazônia, cujos objetivos são semelhantes. Desse modo, o BNDES iniciou uma nova frente de trabalho, até então inédita na história do banco.
A economista Helena Maria Martins Lastres é mestre e doutora em Desenvolvimento e Política de Ciência, Tecnologia e Informação pela Universidade de Sussex (Inglaterra), com pós-doutorado em Economia da Inovação e especialização em Arranjos Produtivos Locais pela Universidade Pierre Mendes (França). Ela foi um dos palestrantes, nesta quarta-feira (28), do primeiro painel da 4ª Conferência Nacional dos Arranjos Produtivos Locais, realizada em Brasília.
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