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Redução da pobreza e apoio às capacidades produtivas são prioridade dos clusters, segundo Unido

Autor: Agência Sebrae de Notícias | Data: 30/10/2009

Representante da Unido(Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial) participou da 4ª Conferência Nacional dos APL em Brasília

Giovanna Ceglie, durante o Painel: Estratégias para o Futuro, na 4ª Conferência Nacional dos Arranjos Produtivos Locais

Difundir as experiências dos clusters, Arranjos Produtivos Locais (APL) e aglomerações produtivas – tanto faz o conceito adotado –, dar escala a eles e inseri-los nas políticas dos países são iniciativas da maior importância para a Unido (Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial).

Reduzir a pobreza em regiões social e economicamente vulneráveis e aumentar a competitividade por meio da criação e ou aprimoramento das capacidades produtivas desses territórios devem ser prioridades dos clusters, de acordo com as diretrizes do órgão da ONU.

“Para nós, o conceito de cluster é muito importante, pois significa a possibilidade de captar economias externas, apoiadas por instituições articuladas”, definiu Giovanna Ceglie, chefe da unidade de clusters e Rede de Negócios da Unido, durante painel da 4ª Conferência Nacional dos Arranjos Produtivos Locais, realizado nesta quinta-feira (29), último dia do evento promovido em Brasília pelo Ministério do Desenvolvimento, Sebrae e outras instituições.

A Unido foi criada em 1966 e sua sede está em Viena (Áustria). Cento e setenta e dois estados compõem esse órgão da ONU, que conta com 50 oficinas locais, em 25 países. “Para a Unido, dois temas são prioritárias nos clusters: redução da pobreza e criação de capacidades produtivas”, acrescentou Giovanna.

Entre as lições aprendidas pelo órgão da ONU nos clusters apoiados e estudados por seus técnicos, ela citou: é preciso tempo para clusters ou APL dar frutos; é importante o apoio dos setores público e privado; é fator-chave para o sucesso que os facilitadores e articuladores devem ser profissionais que trabalham nas localidades, especializados em políticas e constituição de governança local.

Para atuar de acordo com as lições aprendidas pela Unido, Giovanna sugeriu três ações fundamentais: a implementação de programas de formação de recursos humanos para facilitadores e articuladores locais, especializados em políticas e governança; acesso a mercado e fatores externos ao cluster, no sentido de contatar compradores potenciais; enfoques úteis devem estar no aumento da competitividade e redução da pobreza nas regiões dos clusters.

“Muitas vezes a iniciativa dos clusters são piloto, mas não são inseridas nas políticas dos países”, lamentou a representante da Unido. A idéia de clusters pode influenciar outras políticas, como de educação e formação profissional, acrescentou.

Aliás, na questão da profissionalização dos arranjos produtivos, como são chamadas as aglomerações produtivas no Brasil, o enfoque deve estar na gestão do conhecimento, que implica desenvolvimento de metodologias, investimentos em formação, investigação para ações e redes de aprendizagem.

“Projetos de clusters são complexos. Não é como analisar indicadores de grandes empresas”, comparou Giovanna. A experiência dos clusters contribui para a redução da pobreza e modelo de crescimento "pró-pobres". “Esse modelo de desenvolvimento para o setor privado é aquele que gera oportunidades para os pobres, tanto em termos econômicos (empregos, inclusão, acesso a recursos financeiros), humanos (melhoria da saúde ,educação, moradia) e sócio-culturais (superar discriminação e barreiras)”, explicou.

É preciso selecionar clusters que mais contribuem para a redução da pobreza, argumentou Giovanna. Ou seja, para a Unido bons resultados econômicos não são o bastante. Os resultados sociais, culturais e ambientais também contam muito para a obtenção do apoio desse órgão da ONU.

Ela citou vários exemplos de clusters ou arranjos produtivos locais em vários países, apoiados pela Unido, com bons resultados. Em Chanderi, na Índia, por exemplo, um projeto rural voltado a mulheres com vocação para trabalhos manuais, porém com baixo nível técnico, significou a inclusão de centenas de famílias de classes marginalizadas. Foram resultados positivos desse projeto: alfabetização das mulheres; 600 tecelãs se organizaram em redes empresariais; aumento dos salários delas; melhoria na saúde das famílias e de suas casas, entre outros.

Como conclusão, Giovanna afirmou que o enfoque dos clusters deve estar no modelo de desenvolvimento "pró-pobres", a melhoria das capacidades produtivas e competitividade deles, em todas as fases dos programas e projetos. A responsabilidade de todos os atores, incluindo as instituições privadas e públicas apoiadoras, nessas ações, é fundamental para que tais objetivos sejam alcançados, ressaltou.

Serviço:
www.unido.org/clusters

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